domingo, 15 de abril de 2007

...Fragmentos

Deixa cair
Aposto que não passa do chão
À devida distância
Uma queda pode ser apenas percussão
Deixa morrer
O gesto que começou mal
Depois vais ter tempo
De reconstruir a tua catedral

Não há passos divergentes para quem se quer encontrar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucubem à batota
Chega aonde tu quiseres
mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estradas para andar
A gente vai continuar

Aqui, no trapézio
A rede é distante
O mer horizonte
É um braço errante
Despimos as horas
Perdidos no espaço
Entre o rugir de um leão
e o choro de um palhaço
É bom arriscar o salto, planar...
Sentir de novo a emoção...
É tão bom
Saber que a morte é falhar,
Voar de encontro á tua mão

Agarras-te à hora em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores que a loucura te emprestou
E quando te vês ao espelho
Encontras a solidão
Descobres o mundo de quem tem pouco a perder
E sobes às estrelas que ontem não podias ver
E perdes o medo de estar só
No meio da multidão
Tradições
Atrás de contradições
Fizeram-te abrir os olhos
Podes dizer: eu sou.

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